Besan…quoi?

De Maneira Alguma...

Ouvi dizer que 2014 virou 2015, rápido, sutil a ponto de nem me dar conta da mudança. Quando sinto a testa franzindo ao sentir o vento congelante, me pergunto se de fato cheguei ou se estou num limbo ou espécie de universo paralelo. Esse negócio de cair a ficha e tudo mais, vocês sabem. Ainda não tive o estalo, deve chegar em breve. Em dado momento do ano passado decidi fazer um breve intercâmbio. Respirar novos ares, melhorar meu francês preguiçoso. Escolhi uma cidade do interior, mandei alguns (tantos) e-mails, juntei documentação de uma vida inteira, dei um beijo nos meus pais e abraços nos amigos, preparei as malas na véspera e fui. Meio reckless: nem conhecia a cidade, que não tem aeroporto e fica relativamente distante de Paris (isso mesmo, para tristeza dos amigos que de imediato associaram França a Paris). Vale lembrar que nunca tinha andado sozinha…

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Besançon, França – as primeiras impressões

De Maneira Alguma...

Coerência não é o meu forte, então antes de contar um pouco sobre a cidade – aquelas informações gerais sobre população, localização, temperatura, etc -, ou sobre o curso, resolvi começar pelas minhas primeiras impressões. Acho que cabe retomar toda a treta que me acompanhou na véspera da viagem, porque se fosse sem emoção não teria graça e eu adoro viver perigosamente (mentira, nem sou tão aventureira assim mas a vida vive mandando indiretinhas pra ver se mudo).

De trem, o percurso de Paris a Besançon leva mais ou menos 2h20. Precisaria estar aqui no dia 26 de janeiro às 8h. Devido a alguns erros de percurso, minha passagem de trem estava marcada para o dia 26 às 14h53. Fofa e deliciosa a vida. Chegaria em Paris no dia 25, às 13h, e até teria um tempo para ser feliz. Por pedidos da escola, abortei os planos e comprei uma…

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Besançon em linhas gerais

De Maneira Alguma...

Árvores secas e a típica paisagem de inverno Árvores secas e a típica paisagem de inverno

Se vocês jogarem “Besançon” no Google, não vão encontrar muitas informações. Se você não fala francês, então, um abraço. O site oficial da cidade é bem completo, mas para os gringos pouco familiarizados com a língua local deve ser uma tortura. Vou fazer um post falando sobre a cidade em tópicos, com aquelas informações básicas dos guias.

Para começo de conversa, a França tem 26 regiões administrativas (se alguém se interessar posso fazer um post só explicando as divisões administrativas do país). Cada região é dividida em departamentos. No momento estou em Franche-Comté, região dividida em quatro departamentos: Doubs, Jura, Haute-Saône e Territoire de Belfort. Besançon fica no Doubs, que por sinal é um rio que passa pela cidade e é lindo. Até dá para dizer que seria o nosso Rio Sena, mas ele é mais limpinho. A água é de um…

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Lidy com isso! #01 – Sobre corridas

Eis que: me joguei no youtube. O plano é manter um canal e postar vídeos toda terça-feira. Se vou sobreviver a essa rotina: são questões. Mas digamos que tenho boas perspectivas (!). Vocês podem acompanhar, de repente assinar o canal, me dar sugestões… faço de tudo para aprimorar meu cantinho na rede.

Tem várias falhas, tanto de edição quanto de imagem. Mas tô começando, aprendendo aos poucos, tentando fazer as coisas com calma. Uma hora fica bom 🙂

Segue o primeiro vídeo, onde falo sobra minha relação com a corrida:

Como lidar: essa decisão maluca de correr

Aqueles relógios digitais espalhados pela cidade de São Paulo são monstruosos. Imagine olhar para um deles e dar de cara com 31 graus piscantes quando você acaba de passar a plaquinha dos 3km sabendo que tem mais 7 pela frente. Correndo. CORRENDO. E o relógio muda da temperatura para o horário: 10:00. Sol a pino e você, trouxa, correndo. Pagou para correr! Poderia estar em casa, dormindo. Aproveitar para acordar mais tarde. Existe sempre um momento em meio à qualquer atividade física em que perguntamos por quê raios deixar de lado a vida sedentária, que é tão cômoda. E é isso: se exercitar sempre vai ser sofrido. Pode ser super prazeroso, mas vai doer em algum momento.

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A 23ª Maratona (de Revezamento) Pão de Açúcar foi uma prova de resistência das mais pesadas. Foi a primeira vez que repensei todo esse rolê de corridas no meio do percurso e pensei em desistir de vez. Largada depois das 9h com o sol queimando a alma, percurso pesado e com sinalização ruim, muita gente (principalmente perdida). Tinha também o lado de estar em equipe, correr com pessoas que me acompanham desde o início e a superação de estar em uma prova atípica em comparação a todas que já havia feito. Depois dessa me inscrevi em pelo menos mais cinco provas, porque coerência é uma coisa que não existe na minha vida.

Comecei em 2013, quando ainda treinava em uma academia perto de casa. Conversei com o Ale Scaringi, meu instrutor na época, e pedi sugestões do que fazer para emagrecer porque andava meio cansada das aulas aeróbicas. Ele sugeriu a corrida e me montou uma planilha marota. Para me manter focada, me inscrevi em uma prova feminina de 5k. Fui uma pessoa disciplinada e segui tudo a risca, não matava um dia de treino, maaaas cometi a loucura de aceitar ideia errada. Surgiu a tal maratona de São Paulo, que tinha uma opção de corrida de 10k, e voilà, Lidyanne treinando para fazer 5k terminou “estreando” em uma prova oficial com 10k.

Essa pessoa de short preto com azul sou eu. Na tal prova inicial de 10k

Essa pessoa de short preto com azul sou eu. Na tal prova inicial de 10k

Aí todo mundo entende minha relação maluca e nada coerente com a corrida. O problemão é que correr na rua vicia de um jeito que nem sei bem como explicar. Não me importava em correr na esteira, tendo uma boa playlist (um beijo, beyonça) a gente até consegue esquecer a parede verde enjoativa da academia. Só que na rua era diferente. Você corre observando a cidade, conhecendo melhor lugares por onde sempre passou de ônibus ou carro e nunca reparou bem. Tem paisagem, tem pessoas tão motivadas quanto você. E é lindo.

Também já fui como 90% das pessoas que chegam até mim e dizem “nossa, eu não aguento correr nem para pegar o ônibus”. Pois digo: o máximo que eu conseguia era correr durante 60 segundos na esteira. De repente consegui correr 2 minutos sem parar. E então cinco, dez… até completar 35 minutos correndo sem parar. Lembrando que aconteceu com tempo, não foi de um dia para o outro. É bem importante lembrar que condicionamento muda bastante de pessoa para pessoa. Acontece da pessoa estar bem condicionada devido aos treinos que costuma fazer, acontece da pessoa começar a correr do nada e de cara se dar bem. E também acontece de apanhar para conseguir completar um percurso, e isso é bem comum. Mas as pessoas gostam de se cobrar e/ou arranjar desculpas.

Eu sou meio Matthew Inman, corro para comer. Porque comida é uma paixão muito forte, então a corrida veio como elemento ideal para poder “comer sem culpa” (sim, o dramalhão de peso é conteúdo para outro texto, ME AGUARDEM!). Que fique claro, não faço SÓ por isso. Gosto de correr. Desde que adaptei meu corpo a isso passei a encarar como uma distração. Nunca foi uma escolha para perder peso ou ter uma vida mais saudável. Era algo que por um acaso me ajudava a manter meu peso, só isso. E juro que funciona de um jeito mágico, porque alguns minutos de corrida me ajudam a desligar do mundo enquanto ouço umas músicas toscas e não penso em nada sério. Chegar ao nível máximo de exaustão ajuda a anular pensamentos ruins. Dura só o tempo do percurso? Sim. Faz uma puta diferença da mesma forma. Costumo correr pela manhã, e fazer isso me motiva a encarar um dia inteiro.

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Então se tem uma dica que posso deixar para todos em 2015 é: coloquem correr entra as metas de 2016. Fácil de fazer, maravilhosa para matar as bads, e ainda te ajuda a ser um pouco mais saudável e a ter mais resistência para sobreviver a um dia ruim 🙂

Esclerosada na etapa Alemanha da Série Delta. Um dos meus percursos favoritos de 10k :)

Esclerosada na etapa Alemanha da Série Delta. Um dos meus percursos favoritos de 10k 🙂

(A ideia é fazer um vídeo sobre minha relação com corridas em breve, vamos ver se esse vlog acontece em 2016!)

Como lidar com: Análise

The Hesitation Waltz, de René Magritte

The Hesitation Waltz, de René Magritte

Vocês podem perguntar o por quê de tanto auê com relação a análise. Por que raios tanta propaganda e insistência? A resposta parece simples: saúde mental é uma delícia. Vão por mim. Nunca entendi quem vê glamour em tomar antidepressivo, mas pela minha experiência vejo remédio como paliativo. Em casos extremos é necessário para dar aquele empurrãozinho para a pessoa. Pois sim, há quem nem consiga ir ao trabalho devido ao estado emocional. Então ajuda! Mas se não houver acompanhamento do analista é tudo meio em vão. Porque problema é aquela coisa que desponta quando você menos espera.

Na análise você vai descobrir um monte de coisas óbvias sobre si mesmo. Gosto de comparar com a leitura de um livro, quando ficamos intrigados com o título e ele magicamente aparece no meio do enredo. E nós ficamos com aquela cara de wow, aqui, no meio da história, esse título faz ainda mais sentido! Nas primeiras sessões você vive isso o tempo inteiro, batendo com a cara na parede por conta muuita coisa que estava clara o tempo todo sobre sua personalidade, mas você sempre ignorou ou nunca parou para reparar com calma.

A partir disso você passa por todo uma fase de autoconhecimento. Afinal, precisamos de uma base, um ponto de partida. Isso não se desenvolve de um modo linear – segue seu fluxo de pensamento. Você pode passar cinco sessões falando sobre seus conflitos atuais e, do nada, surgir uma lembrança da infância. Também é impressionante o modo como as coisas vão se conectando com o passar do tempo.

Nossa, muito sedutor isso aí. Mas tão caro, não é?

Amigos, como vocês se sentem quando alguém te pede um orçamento, você manda e a pessoa responde: “tá caro, será que não rola um descontinho, rs?”. Psicólogo/psicoterapeuta, como todos nós, estudou, fez especializações. Ele investiu tempo e esse dinheiro que o belíssimo pão duro tem tanto apego serve para pagar por todos esses anos de formação. O seu vestido novo, celular de última geração, tênis para corrida, todos foram caros também. Me dá um pavorzinho toda vez que alguém diz que não faz porque custa muito dinheiro.

Vai por mim: dá para encontrar bons profissionais por preços acessíveis às suas condições financeiras. Gente, sou jornalista, atualmente trabalhando como freelancer. Dinheiro não é abundante nessa vida, muito menos nessa área, e consegui dar um jeito. Você também consegue, vai por mim. Tudo é negociável. Existe a opção de fazer um número menor de sessões também. Enfim, conversem! Sempre dá para encontrar um jeito.

Meus amigos vão me zoar quando eu disser que tô na terapia, e agora?

Olha, vem cá, chega mais: em alguns momentos da vida é preciso mandar o amiguinho para o inferno. Isso mesmo. Maravilhoso ter amigos, mas antes de qualquer coisa: a vida é toda sua. Ninguém precisa meter bedelho e julgar suas escolhas. Tá aí outro negócio incrível que aprendemos com a análise: nós somos donos de nossas vidas e precisamos aprender a lidar com nossas escolhas por conta própria.

Já tive esse defeito. Pensava tanto nas possibilidades de julgamento que demorei 24 anos para dar um jeito nessa vida e agora estou aí tentando correr atrás do prejuízo. Se a pessoa acha absurdo você investir em análise pode ser o caso de repensar sua amizade, só uma dica.

Legal, estou convencido. Como proceder?

Minha sugestão é procurar contatos com amigos. Converse, tente conhecer qual linha o analista segue, dê uma pesquisada. Eu sou fãzoka assumida de Jacques Lacan e não consigo me imaginar fazendo análise com uma linha diferente. Mas isso TAMBÉM é bem pessoal, se vocês quiserem posso até fazer um post geralzão explicando os princípios de cada linha. Pesquisar é fundamental! Conhecer um pouco da análise dos seus amigos que querem te passar uma indicação também.

Peça sugestões sem medo! Porque escolher meio a esmo é complicado. Você pode dar sorte e se identificar logo de cara, ou ser meio decepcionante e você não querer voltar nunca mais. Ah, vale dizer: se for decepcionante e a análise for um fardo para você, troque. Troque até achar um analista com o qual se sinta à vontade para desabafar.

Lidy, mas eu morro de vergonha de falar sobre coisas pessoais ):

Migos, nem todo mundo tem facilidade, fiquem tranquilos! Isso é algo, por vezes, que leva tempo. Por isso é tão importante achar um analista que te deixe à vontade. Lembrando que o profissional não faz milagres. Ele está ali para te orientar. Ele vai te guiar a partir do que você conta. Por isso é tão importante não omitir nada e ir perdendo o receito aos poucos. Acima de qualquer coisa, é um profissional. Ele não vai te zoar (se fizer isso, estranhe), não vai fazer nenhum tipo de julgamento. Ele quer te conhecer justamente para encontrar a melhor forma de te ajudar a mandar essa angústia para longe.

E se serve de incentivo, ele não é da tua roda de amiguinhos. Pode contar seus causos mais escabrosos, não vai sair de lá DE VERDADE. Confia ❤

Olá, mundo!

Ou: WHAT THE FUCK estou fazendo da minha vida criando mais um blog?

Não vou assassinar meu bebê De Maneira Alguma…, ele é uma gracinha e tenho muito orgulho da minha primeira cria. Ele tem coisas boas e não merece o sacrifício. Inclusive vou deixar um link para ele na barra lateral, vai ser tipo um bônus do arquivo do blog (?!). Mas chegou essa fase da vida em que preciso aprender a lidar e estou com coceiras nas mãos porque não dá para ficar parada E não compartilhar tudo isso com as pessoas pois sim, Lidyanne também é rainha do overshare! Overshare “do bem”, juro, suave e saudável, daqueles gente como a gente pra pegar na mão do coleguinha e dizer “calma, não chore tanto, tem gente tão angustiada no mundo quanto você!”.

Pra quem caiu aqui e tá perdido, vamos lá: meu nome é Lidyanne, tenho 24 anos, sou jornas por formação (também reviso, escrevo, danço, faço sapateado, fotografo, faço cara de paisagem….) e por alguns anos “mantive” o blog De Maneira Alguma. Hoje tenho uma newsletter fofa onde falo sobre várias coisas e sobre nada. Criei o blog com o intuito de discutir tudo que venho aprendendo/esclarecendo com a análise e compartilhar com quem tá tão perdido quanto me senti antes de começar esse processo.

E mores, não vamos ter vergonha de dizer pros amiguinhos que vamos ao psicólogo, tá? Inclusive todos deveriam ir, recomendo fortemente (juro que o mundo seria um lugar mais suave se todos fizessem).

Então vamos todos nos abraçar, dar uma força pra amiguinha virtual e aprender a lidar com os agouros todos ❤