Corona diaries #7

Tenho sentido saudade de tocar as coisas. De chegar com a ponta dos dedos e moldá-los paulatinamente na forma do objeto, de senti-lo ganhando peso e se acomodando entre minhas mãos. De atribuir significado, definir, explorar essas formas, observar por inteiro e buscar eventuais defeitos, conferir o preço. Essas trivialidades de passeios descompromissados, o famigerado “vou entrar só para dar uma olhadinha” que nos faz descobrir e em alguns casos expandir a lista de desejos. De transitar de um canto a outro, sentar para tomar um café, observar os passantes e especular sobre a existência de um ou outro.

Esses tempos me deixaram nostálgica de mim. Me transportei umas tantas vezes até meu apartamento em São Paulo pelos últimos dias, caminhei pelas horas em que passava jogada no sofá com minha cachorra no colo e um livro em mãos. Pude tocar a preguiça de ter vida do lado de fora, o conforto dos feriados em que todo mundo viajava e não me via obrigada a sair do meu cantinho. Pensei no quanto gostava de poder ficar confinada por opção, no quanto isso transformava as ocasionais saídas em algo tão mágico e poderoso. Foi estranho e ao mesmo tempo gostoso me revisitar. Não senti necessidade de olhar as fotos ou reler o que escrevia nessa época, mas desde a semana passada fui invadida pelas lembranças dos meus sete anos na selva de pedra. Como um filme passando pela minha cabeça, fui surpreendida pela vivacidade dos fatos. Comecei a me lembrar das coisas como se tivessem acontecido na semana passada e me choquei com a riqueza dos detalhes. Tinha certeza que tudo havia me escapado e só me restavam retalhos de memória, mas não, tudo tá aqui, povoando meu cérebro em um ritmo frenético. Meu inconsciente quer me dizer algo? Não consigo captar nenhuma mensagem, e por vezes me parece apenas uma tentativa de atribuir valor ao passado enquanto documento histórico. Reforçar a importância deste período para meu amadurecimento pessoal. Para mostrar que essa história de auto-conhecimento começou mais cedo do que eu pensava, que no fundo todo o período sozinha ajudou a me afirmar, a entender quem eu era e para o que vinha me preparando. Como se essa invasão de memórias tentasse me dizer que tenho mais força e capacidade do que imagino para construir minha nova vida.

Me senti como se estivesse tocando a outra face dos objetos, que no caso são minhas memórias, tal qual nessas saídas despretensiosas, só que direto do conforto do meu lar, e fosse moldando cada uma em minhas mãos antes de colocá-las de volta na prateleira. Curioso ver o quanto esse processo me fez enxergar o ódio por outra perspectiva. Como se não passasse daquela poeirinha acumulada sobre os livros, que podemos tirar com facilidade só de passar um pano úmido. Fiz as pazes com a Lidyanne de sete anos de São Paulo, aprendi a respeitar seus medos e inseguranças e entendi melhor o valor dessa experiência. Deixei de lado o arrependimento e o “pesar” de minhas escolhas e senti uma felicidade imensa em poder, enfim, encerrar este capítulo da minha vida com respeito e muito amor. Muito do que sou hoje se deve a esta “mulher em formação” que chamou a capital paulista de lar entre 2010 e 2017. Ainda bem que segui sendo pura teimosia, que insisti no meu pedantismo (pois um ser humano é sim cheio de defeitos e isso não é um problema!) e em tudo que me encantava naquele período.

Agora é o momento de pegar essa experiência e trazê-la para ainda mais perto. Resignificar esse cuidado e carinho pela Lidyanne do passado e entregá-lo para a versão do presente. Fui engolida pela agonia de não estar produzindo nada nestes dias de confinamento, o que me tirou as horas de sono e me fez parar todas minhas atividades em andamento.

Essa sensação súbita de nostalgia boa, que não me causou nenhum desconforto, deve ser um sinal inconsciente de que preciso de um pouco desta visão também para o presente. Parar um pouco, desacelerar do bombardeio de notícias, respirar fundo e aprender a tirar algo da dor. Sem ceder ao desespero.

Uma autoanálise de 2019

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Cape Cod Morning, 1950, de Edward Hopper

[Para ler ao som de Phoebe Bridgers – Smoke Signals]

As primeiras horas de 2019 foram de ressaca. Comi uma fatia de galette des rois com uma xícara transbordando de café, precisava de algo forte e gorduroso para equilibrar a quantidade de álcool que coloquei para dentro do corpo na noite anterior. Pensei que um banho poderia me ajudar a me recuperar, mas só piorou o enjôo. Estava numa cidade do interior da Lorraine, depois de uma boa festa de virada de ano, e precisava pegar meu trem de volta para casa porque trabalharia no dia 2 de janeiro. A gente começa o ano na labuta, afinal. No caminho até a estação pedi pro casal de amigos que havia me convidado à festa para fazer uma parada no McDonalds. Eu, que odeio McDo com todas as minhas forças, precisava também de algo MUITO ruim para recuperar um cadinho da energia que restava para seguir até o fim do dia e chegar na minha casa. Devo ter repetido “nunca mais eu bebo” pelo menos 300 vezes, mandado uns sei lá quantos tweets reclamando deste ato impensado, desejado vomitar em cada hora que passei acordada daquele dia. Excelente ponto de partida para um ano que abusou do seu potencial de insanidade e me pegou por uma das pernas e saiu me chacoalhando como se eu fosse um bonequinho de Lego.

Abri mão de pouco a pouco dos filtros por uma questão de sobrevivência. Para engatar a última etapa do mestrado precisei deixar um trabalho do qual gostava muito; ao mesmo tempo tinha todo o gosto do novo pela frente para aliviar as dores da despedida. Levei tempo a estabelecer laços e me habituar ao cotidiano em um projeto de cidade (brincadeira, Montbéliard. Guardo boas lembranças de ti), e quando peguei o jeito foi preciso juntar meus muitos trapinhos e ir embora. Janeiro se resumiu a colocar a vida em malas mais uma vez, me enfiar toda torta em um trem com o que deu pra levar de bagagem e desembarcar em uma cidade totalmente desconhecida.

Annecy me vendeu um cenário dos sonhos. Era surreal estar cercada de montanhas cobertas de neve, ver a composição com o lago me fez sonhar um punhado de vezes, pois na minha cabeça inocente parecia perfeito para viver experiências tão lindas quanto o ambiente. A realidade, todavia, fez questão de dizer que a beleza pode ser traiçoeira. Derrapei com tudo. Conviver com os savoyards era um martírio, tava pra nascer gente mais chata e difícil de lidar. Dada a missão de fazer um estágio em uma empresa baseada em Annecy, trabalhar naquele lugar foi tão traumático quanto aprender a lidar com essa gente. Ser expatriado é desafiador, de fato, mas quando se é inseguro o contexto piora de forma significativa.

Ao longo dos meses que passei na agência pensei muito sobre meu futuro profissional e procurei motivações para acreditar no meu potencial. Questionei minhas escolhas e o propósito delas. Me preparei para dois anos de estudo, sem nenhuma obrigação com trabalho; e no fim das contas se passei dois meses sem trabalhar foi muito. Meu corpo criou o terrível hábito de ter um emprego, sempre foi uma de minhas melhores desculpas para ocupar a cabeça e não ficar criando abobrinha em templo pleno.

Começar o estágio envolvia muita coisa, e talvez a parte mais dolorosa consistisse no fato de mudar de área. Se carregava comigo sete anos de experiência como Assessora de Imprensa, tinha um total de 0 experiências como Gerente de Projeto Digital. Me sentia vulnerável demais para dar opinião ou mesmo fazer uma pergunta que pudesse demonstrar minha falta de conhecimento, pois apesar de tudo era mestranda e havia estudado o assunto ao longo de um ano e meio. Mesmo tendo a postura de quem conhece o ambiente corporativo, tomei muitas rasteiras. O modo de pensar europeu difere muito do brasileiro e não, eles não descartam uma possibilidade sequer de mostrar sua inferioridade. O pensamento colonizador ainda tem a sua força.

A pior característica do mercado francês (talvez europeu) é a relevância dos atos negativos. Ninguém vai te parabenizar por um trabalho bem feito ou por uma ideia que gerou um bom retorno. Mas se você cometer um erro… será lembrado até o fim do seu contrato. Eles nunca vão te deixar perder o erro de memória. Mesmo depois de tantos anos trabalhando, foi o suficiente para colocar meu profissionalismo em questão. Saí acreditando que eu deveria ser muito ruim mesmo, dada a quantidade de falhas enaltecidas e os elogios inexistentes. No fundo sei que boa parte das pessoas não era lá muito profissional, mas esses acontecimentos acabam mexendo com a gente. E ferindo a minha autoestima que já não era das melhores.

Mesmo com tantos anos de terapia nas costas não soube construir uma barreira contra o jeito de agir do mercado local. A falta de humanidade e do mínimo de relacional que se espera entre funcionários me tirou do eixo e carrego comigo as consequências deste desequilíbrio.

Em 2019 encontrei amor e alento como nunca havia experimentado antes, quiçá um presente da vida para dosar todas as outras coisas que andavam se desalinhando. Foi bom ter esses respiros e encontrar conforto de quem não acompanhou as idas e vindas desses 28 anos de existência, foi essencial ter a visão de quem veio completamente de fora e sem o mesmo referencial cultural que o meu. Mas o peso foi tanto que todo esse amor não foi suficiente: ainda sucumbi nas minhas inseguranças e paranoias e nestes últimos dias de 2018 pretendo preparar o caminho para aprender mais uma vez a lidar com elas e não deixar que me consumam a energia.

No fim de 2018 escrevi um ‘texto-retrospectiva’ no Instagram onde dizia que o ano em questão havia me quebrado em muitos pedacinhos (e sim, isso aqui é uma autoanálise, então estou me quotando):

“I broke myself in so many pieces over the last year. I tore myself open, exposing everything. I’ve felt as if I was walking around naked, feeling weird but not afraid of all the people watching me. I started off 2018 with plenty of scars and trying to mend the pieces. One day I decided to repair everything with some gold powder. I end up this year looking imperfect, but yet so precious (and no, I had no time to take the classic photo with a glass of wine, it’s a shame, we’ll go for a lazy selfie taken before Christmas). I hope you all can feel like this in 2019. Happy new year ✨”

Pois 2019 conseguiu bloquear todo tipo de remendo e me quebrar ainda mais. Pisou sem dó nem piedade e cortou meu acesso ao pó de ouro. Pois temos aquela história de ressurgir feito fênix, e talvez este acabe sendo meu objetivo único para 2020. Mesmo que me custe tempo, que eu tenha força suficiente para fazer mais do que juntar meus cacos com pó de ouro. Urge, mais do que outrora, minha necessidade de ressurgir mais forte em meio a tanta desordem.

Será que volto?

Bateu saudade de mim. Desse compromisso descompromissado de vir aqui e escrever qualquer coisinha. De pensar em pautas, de compartilhar umas reflexões aleatórias vez ou outra. A internet nos engoliu de vez, as pessoas abandonaram os blogs aos poucos e viraram adeptas das newsletters (eu inclusa), depois acharam por bem viver de rede social e isso lhes basta. Ninguém conversa mais, a gente passa seis meses e enventualmente um ano sem trocar uma palavra com alguém. So it goes, como diria Kurt Vonnegut em seu Matadouro 5 (excelente livro inclusive). Longe de mim querer jogar a culpa em outrem, sinto que também sucumbi. Mesmo não me sentindo confortável, como se tivesse sido algo imposto. Bref. Senti falta. Pode ser que volte a escrever para além dos muros, redigir mais textos para ninguém ler. Quem sabe?

Minha experiência com o DIU Mirena

A Nicas é quase uma entidade/santa protetora deste blog, pois é citada em quase todos os posts. Obrigada por existir, Nicas. Visitem o blog dela pois: pessoa maravilhosa e posts incríveis.

Ela fez dois posts falando sobre o Mirena. Um sobre a decisão de colocar, outro sobre sua avaliação pós um ano com ele. Depois deste segundo texto senti vontade de contar a minha experiência pois foi catastrófica. E claro, mais do que sobre métodos contraceptivos, precisamos falar sobre a necessidade deles em nossas vidas. Não é algo exposto com tanta abertura assim, mas sabemos: a maioria quer evitar uma gravidez e só. USEM CAMISINHA, CARAI, mas se você é uma moça sem tretas menstruais, cheia de paranoias e quer uma opção a mais para evitar bebês no seu útero, o DIU de cobre resolve. Ele só inibe gravidez, você menstrua normal. Acontece que muita gente esquece das moças com ovários policísticos e com endometriose.

Caí mais ou menos na segunda categoria. Não tenho um diagnóstico, mas a médica disse que as chances de despontar uma endometriose neste belíssimo útero são altas. Conversamos muito e minha ginecologista de anos indicou parar com a pílula e colocar um DIU de hormônio (o Mirena). Pesquisei com calma para fazer tudo pelo meu convênio, que é de Campo Grande. Infelizmente não sei como funciona pelo SUS ou particular, mas a maioria das ginecologistas fazem a introdução na própria clínica. Em outros casos, só pode ser efetuado em hospitais.

Em tempos de demonizar a pílula sinto ainda mais vontade de escrever sobre o assunto. O objetivo aqui é contar minha experiência com o DIU, porém faço questão de dedicar algumas linhas em defesa da pílula. Gente, eu já tentei de tudo. Tudo mesmo. Remédios de farmácia, remédios naturais, chás, óleo de prímula. Algumas coisas ajudaram por um tempo, até meu corpo criar resistência e não ter mais efeito. Meu ciclo era porreta:

É CLICHÊ DEMAIS usar esse gif como referência, eu sei

Pois juro que era bem assim. Três dias sangrando horrores e me arrastando pelos cantos por motivos de cólicas intensas e muita dor no corpo. Sem contar o inchaço. Me sentia tal qual o boneco da Michelin. Não sou evoluída a ponto de curtir sentir dor e sangrar horrores. Com essa história de endometriose, então, não pensei duas vezes. Só comecei a tomar pílula em 2013, resisti ao longo de 12 anos de muito sofrimento com a menstruação. O fluxo sossegou, as cólicas também (sim, elas continuaram!! as cólicas me amam e são muito resistentes), e então veio aquele papo promissor de FIM das cólicas E do fluxo. Não resisti, precisava tentar.

Como é colocar um DIU?

É horrível. Não vou fazer cerimônia. Tenho tolerância super alta para dor (tatuei a costela, sabe) e pensei que fosse morrer. Pior cólica da minha vida, parecia um alien tentando rasgar as paredes do meu útero. Na hora de introduzi-lo você consegue sentir direitinho, é como se alguém te desse um soco forte no útero e continuasse empurrando. A tendência do teu corpo é tentar expulsá-lo em seguida, pois é um objeto estranho invadindo o espaço – ou seja, a cólica forte pode te incomodar ao longo de vários dias. Diminui, é claro. No dia que coloquei pensei que fosse morrer e cheguei a sentir ânsia de vômito. Nos outros dias incomodava, era chatão, mas nada comparado ao primeiro dia.

Fui 100% Carminha surtando na hora que a gineco enfiou esse negócio em mim

Ouvi dizer que a longo prazo você deixa de menstruar. É verdade?

Tenho amiga que parou mesmo, mas o meu corpo, diferente dos delas, é burro e adora menstruar. Completo um ano com o DIU no fim de março e até agora ‘menstruei’ todos os meses. Coloco entre aspas porque a menstruação tende a reduzir cada vez mais e o fluxo parece de fim de ciclo, aquela borrinha marrom. É normal ter escape no início, é o teu corpo reagindo ao “objeto não reconhecido” dentro de você. Por isso o Ultrassom transvaginal deve ser feito de seis em seis meses, pra checar se o DIU continua onde deveria estar. O deslocamento dele pode ser causar cólicas e sangramentos.

Como foi para você?

Dei muitas chances a ele, juro. Tudo começou com os escapes – foram praticamente três meses convivendo com aquilo que chamava de ‘fim de menstruação eterno’. Não dava para usar coletor, pois o fluxo era muito leve para isso; não dava pra ficar sem protetor de calcinha porque era sangue suficiente pra manchar; se colocava protetor eventualmente ficava assada e a dois passos de ter uma candidíase. Meu ciclo, que antes durava entre 5 e 6 dias, agora dura DEZ – isso depois de uns seis meses de escape infinito, claro. E bem, as cólicas… sempre tive probleminhas com isso, não faço ideia do que é uma vida sem sentir essas dores horríveis. Elas pioraram com o DIU. São mais fortes e duram mais tempo – ao menos em comparação com os tempos de pílula. A indicação visava me afastar de uma possível endometriose, reduzindo fluxo e cólicas. O fluxo melhorou, é verdade, mas o escape me incomoda muito e convenhamos – ninguém gosta de sentir dor.

Quando tenho essas cólicas porreta fico que neeem esse esqueleto

O veredicto

Cada organismo é um organismo, certo? O meu não se adaptou. Conheço outras pessoas que colocaram, amaram e não tiveram problemas. Foi até difícil pedir a opinião de outras moças porque todo mundo dizia “calma, o início é difícil mesmo”, mas os sintomas persistiram mesmo depois do primeiro semestre de adaptação. Então sim, meu plano é tirar. Vou fazer os exames de rotina assim que completar um ano de DIU e checar quais são os procedimentos para retirar.

E você? Já pensou em colocar um DIU? Tem vontade? Conte nos comentários! 😀

A treta da balança

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Comida travestida de solução para problemas. Já aconteceu com vocês? Comigo sempre. Uma das formas mais fáceis de obter alívio imediato. Não fico calculando nada, vou lá e como qualquer coisa que pareça agradável ao meu bucho e ao fim de todo e qualquer conflito mental. Creio que só de pensar em preencher minhas angústias com comida já ganho pelo menos 1kg. Quando vi este tweet, me peguei rindo da própria desgraça, pois muito real. Me identifiquei, levei na esportiva… mas os amigos que emagrecem nessas situações levaram bem a sério e não gostaram.

Tenho problemas com peso desde os meus 13/14 anos.

Meu maior sonho : ter a mentalidade dos meus dez anos, quando não ligava para nada. Fui uma criança gordinha das mais orgulhosas, dancei sapateado na cara de todos que se uniam para me presentear com o bullying perfeito. Meu único trauma no período foi uma professora de ballet que, após uma aula experimental, disse a minha mãe que eu não poderia fazer ballet pois era muito gorda. Eu tinha cinco anos. Nem pensei em emagrecer, claro, mas passei minha vida inteira evitando qualquer contato com a dança porque rolou trauma, parecia que não era para mim.

Passaram-se anos, embaranguei rude e, no auge dos meus 14 anos, comecei a me incomodar. Era espinha na cara, cabelos monstruosos (era bem assustador mesmo), unhas gigantescas e cheias de cutículas, a bunda do tamanho de uma semana e…a barriga. A barriga transbordando na calça. Vivia de camisetão para disfarçar meu show de horrores pessoal. Com essa idade o bullying ganhou outro tom. Na infância os pirralhos tinham uma puta criatividade para criar apelidos, na pré-adolescência um simples “além de feia é gorda” poderia se transformar em ruína. Percebam a gravidade do julgamento – criança ou adolescente, a gente não tem uma capacidade de filtro muito boa. As críticas nessa faixa etária são muito significativas – deixam marcas em nós que podem nos acompanhar por muito tempo e levar ANOS para cicatrizar.

Comigo não foi diferente – embora eu adorasse posar de durona, séria, a moça que não se afeta com nada! Tanto que fui bem discreta na minha busca por uma nutricionista e ao fazer uma ficha na academia próxima de casa – isso mesmo, academia aos quinze anos, pois seguia com a noia de não poder arriscar qualquer tipo de dança. Virei uma pessoa mais ativa e disposta, aprendi muito sobre alimentação saudável, aprendi a dosar as porcariadas, entendi a importância de manter o corpo ativo – tudo isso sem exageros, entendendo o meu ritmo pessoal.

Com uns 10kg a menos tudo mudou – passei a receber elogios, as pessoas pareciam me enxergar. Isso causou toda uma confusão na minha cabeça oca de jovem, parecia que ser magra era a solução pra ser aceita! Belíssima a embalagem, mas o conteúdo era o mesmo – danificado – de antes. Seguia sendo esquisitona e cheia de problemas, e as pessoas pareciam se forçar a me aceitar só pelo fato de ter me tornado uma coisa visualmente aceitável. Isso cresceu na minha cabeça e desandou legal. Ficar magra virou uma obsessão. Na sequência, alguns anos depois, passei por uma situação de grande stress recém-saída de um relacionamento abusivo e, na tentativa de ganhar peso (sim, a coisa tomou proporções inesperadas e eu não me contentei com os 10kg a menos), desenvolvi uma gastrite. Ter que decidir meu futuro profissional potencializou a coisa e bem, aquelas eram as minhas boas-vindas calorosas à vida adulta.

Porque desde então o negócio degringolou. Engordar significava estar com as taxas alteradas, e comecei a me deparar com “situações limítrofes” constantes entre glicose, colesterol e ferro. 17 fucking anos apanhando pra entender que foda-se a estética, o importante era se sentir bem, pra ter a vida esfregando na cara que aumento de peso tinha deixado de ser um problema externo. Desde então oscilo aí entre 5kg que vão e voltam, exames a cada seis meses pra ter certeza que não preciso me desesperar com números descontrolados.

Pois saibam que tem gente magrinha, seca, bem mais magra que eu, com os mesmíssimo problemas. Sabe qual a treta principal de tudo isso? A ansiedade! Nenhuma oscilação aconteceria – nem perder e nem ganhar muito peso – se essa infeliz não nos perturbasse tanto o espírito.

Então deixo aqui minha dica: quando o coleguinha reclamar da balança – seja pelo número elevado ou reduzido – não seja uma pessoa ruim e sem tato. Ofereça um abracinho e cancele a lição de moral. Tudo que a gente precisa, às vezes, é de um ombro amigo que não julgue a nossa dor – por mais tola que ela aparente. Acreditem.

 

(Sim, isso é uma preparação de terreno pro vídeo de amanhã)

Lidy com isso #06 – WRUN 2016

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Primeiro vídeo 100% sem filtro do canal. Se não me engano só tenho dois vídeos gravados com rejunte na cara, mas neste fiz a revolução e to exibindo essa cara feia toda suada e com olheiras maiores que eu. Todo esse desprendimento pra você sentirem mesmo o que é um pós-corrida, bem diferente das fotos cheias de filtro e perfeição da Gabriela Pugliesi. Vim contar um pouquinho pra vocês sobre a WRUN 2016, uma das provas femininas que acontece todo ano aqui em São Paulo. Espero que gostem, apesar das imperfeições!

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Lidy com isso! #05 – Literatura para correr

OI, GENTE BONITA!

Presenciei um milagre na última semana: consegui um emprego fixo. Isso mesmo. Ainda estou em choque, fiquem surpresos comigo. Claro que a novidade trouxe muita correria e abalou todo o planejamento do blog e do canal, mas estamos aí fazendo o que está ao alcance no momento. Não vou abandonar nada apesar do emprego, só vou deixar a desejar neste comecinho, enquanto encontro meu ritmo.

Por hora, deixo mais um vídeo no ar, desta vez falando sobre “literatura para correr”. Livros onde a corrida é a protagonista.

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Lidy com isso! #04 – Besançon: estudando na França

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Comoassim fiz um canal e ainda não  tinha dedicado um vídeo a essa cidade maravilhosa? Sim, são cinco minutos falando sobre Besançon e meu curso na França. Mas bem, pra quem tem curiosidade sobre o intercâmbio que fiz, tá tudo bem explicadinho e resumido.

Linkei os posts que fiz sobre Besançon pro meu blog antigo aqui, caso tenham se interessado e queiram saber mais:

Besan…quoi?
Besançon, França – as primeiras impressões
Besançon em linhas gerais

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Como lidar – acrescentando atividade física no cotidiano

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2016, fevereiro (quase março! Que glória esse ano passando rápido), e aquele projeto de ser mais saudável, como vai? Para quem é 100% sedentário a meta deve ser um fardo, imagino. E bem, se você precisa forçar, não poder ser algo bom – e isso serve para tudo na vida, inclusive para relacionamentos (fica a dica). Por isso aconselho todo mundo a achar alguma coisa prazerosa pois sim, praticar atividade física é muito importante. Não estou falando em Geração Pugliesi, Geração Saúde – aliás, por que esse termo virou motivo de zoação? – mas de cuidar do próprio corpo. Do interno, não do externo.

Nós não temos noção do quanto uma rotina saudável pode ser favorável até pegar aquele exame de sangue maroto. Posso parecer uma tia velha por abordar esses assuntos tendo apenas 24 anos, até eu achava meio absurdo. Mas notei o quanto minha rotina saudável me ajudou a superar muitas dessas dores psicológicas que encaramos sempre.

O assunto rende muitos tópicos, claro, e quero falar sobre isso sempre que possível. Para começar, compartilho com vocês um pouco do que fiz para criar “disciplina” com os exercícios. Faço academia e natação, mas algumas dicas valem pra quem faz dança, crossfit, ou qualquer outra atividade física!

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Horário!

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Estabelecer um horário e ser fiel a ele ajuda muito. Quando você faz alguma modalidade de dança é mais fácil porque tem horário pré-definido. Para academia pode ficar difícil pois muitas opções. É de ficar maluco, não dá pra saber o que escolher direito, se organizar… minha dica é experimentar todas as modalidades e a partir disso montar seu cronograma. Sim, minha rotina semanal é a mesma. Quando quero fazer algo “diferente”, encaixo no horário da tarde. Por exemplo: toda terça faço aula de corrida às 6h45. Tem jump no mesmo horário, que eu amo. Mas se der muita vontade de fazer procuro um horário à tarde ou à noite. É um extra, pra não bagunçar meu esquema de horários pela manhã.

Não encare como obrigação

Já disse no início: se tá insuportável e você sente que não é pra você, não insista. Por isso digo para tentar várias modalidades na academia, um esporte, uma dança, rolê de bike, o que se encaixa melhor ao seu estilo. Viu, tem até opção que não precisa pagar para fazer! Tendemos a nos prender ao “eu paguei, então tenho que ir”, e essa é a maior burrada da vida. Há muitas opções hoje em dia, se uma não deu certo, deixe essa fila andar e procure outra coisa.

É o seu momento

PARECE conselho de revista feminina clichê, mas não é. Pensar que é um momento seu, pra focar na sua saúde e nada mais, ajuda bastante. Tão seu que não importa a opinião dos outros. É você se cuidando longe do olhar do outro. A partir desta pespectiva fica mais fácil entender que aquilo vai ocupar só 10% do seu tempo diário e é para o seu bem. No máximo vai te afetar com uma dor muscular, mas ela passa.

Is it too late now to say sorry?

Insisto muito na playlist pois: fundamental, belíssima, favorável. Pensava que dava para sobreviver em academia com a trilha ambiente, mas o universo sempre me dizia que não. Ontem, por exemplo, entrei no salão da musculação e estava tocando… everybody hurts. É.

Ter uma playlist de músicas animadas é bom para tudo: não deixar a bad tomar conta, cantar junto na hora da procrastinação e pra te dar um gás na hora da atividade física. Te distrai de uma forma quase natural: você empolga sem nem perceber e quando se dá conta opa, acabou a corrida ou o treino de musculação do dia 🙂 (o título é uma clara referência ao hit do nosso querido Bieber que tem agitado minhas atividades).

Naninha

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Algumas pessoas sofrem de insônia de verdade, outras empolgam mais que o indicado no celular ou computador. Ainda mais quando você passa o dia todo trabalhando, chega em casa podre, toma um banho e se joga na cama enquanto fica rolando a página do facebook, do tumblr, do twitter… quando você vê já é meia-noite e você está desde as 20h fazendo nada. Dormir é essencial e te ajuda a ter disciplina e seguir todos os conselhos que dei antes. Uma pessoa descansada tem mais disposição para se movimentar, então fazer uma forcinha pra ir até a academia fica mais fácil. Então vamos policiar essa mania de redes sociais pelo menos na hora de dar trégua ao corpo.

 

É isso, meu povo! Espero que as dicas ajudem de alguma forma. Hora de parar com as desculpas e movimentar o corpitcho.  🙂

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