Fazer da escrita hábito

Em uma manhã chuvosa de quarta-feira, é inevitável seguir o fluxo. Não sobra espaço para raciocínio lógico ou tomar uma decisão própria. Quando as portas do metrô se abrem, segue-se o fluxo de pessoas que se distribuem espontaneamente entre a escada rolante e a tradicional. Num balé nada sincronizado os cartões dançam pelos leitores e as portas mal se fecham. Mais alguns passos e outro lance de escadas nos coloca para fora das paredes da estação Beurs, onde as imediações do Maritime Museum nos acolhe com ventania e chuva intensas tão típicas de cidades portuárias. Jeito nada sutil de afastar o estado de sonolência de qualquer proletariado. 

Observo o céu carregado, transitando do azul-escuro para cinza. São quase nove horas da manhã, porém estamos em outubro e o outono já deixa o sol mais preguiçoso. Fecho o zíper da capa de chuva até a altura do pescoço e abro meu guarda-chuva antes de atravessar parte de Westblaak em direção ao escritório. Nesta caminhada me peguei pensando: e se todo dia abrisse a plataforma do blog e escrevesse qualquer besteira, e repetisse a ação por vinte e um dias seguidos? 

Pensei na proposta compartilhada por Dani Arrais no início de julho, sugerindo escrever uma página por dia durante vinte e um dias. Combinado com os inúmeros empurrões das oficinas promovidas por Tayná Saez, que nos motiva a escrever sem amarras, pensei ser este um bom ponto de partida para trazer vida ao Lidy com isso outra vez. 

Entretanto, para tornar o projeto possível, flexibilizei a sugestão. Não haverá um mínimo de caracteres ou parágrafos. A ideia é abrir o editor de textos diariamente e agrupar as palavras com o que me vier à mente. Poderá ser uma crônica, ficção, desabafo breve. Sem grandes edições, tampouco ambições O intuito é me motivar a fazer da escrita hábito, deixar o processo um pouco mais fluido. Se no futuro algum destes rabiscos me inspirar a escrever algo mais elaborado, melhor ainda.

Instalada no escritório há algumas horas e após digerir esta proposta, observei o céu clarear enquanto escrevia estas linhas entre um respiro e outro das obrigações do trabalho.  A playlist de gosto duvidoso do meu chefe está modo aleatório e acaba de mandar um lovin’ you, de Minnie Riperton. Minha nostalgia ficou abalada e fui forte o suficiente para conter o riso, pois mentalmente parti sem escala para este vídeo.

Enquanto não viro um fungo perante a ausência de sol e o excesso de chuva, preciso balancear o estoque de energia para ter alguma força até o fim do expediente. Por hora, embora tente pensar em qualquer coisa motivadora, só consigo contar as horas para me deitar e dormir novamente. 

Devo culpar o clima ou é só uma onda depressiva de maior impacto?

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