Corona diaries #10

Quando fiz o primeiro ‘Corona diaries’ tinha como objetivo registrar como seria minha experiência com o confinamento. Parecia uma tentativa de provar para mim mesma que muito poderia acontecer mesmo sem colocar os pés para fora de casa. Não deixava de ser uma boa ocasião para sentar aqui e escrever um monte de reflexões sem nexo sobre o estar em casa e as tantas abobrinhas que brotaram na minha cabeça desde então. Daí recebi a última news da Luísa e ela me fez viajar no tempo e revisitar este longíquo passado de blogs criados antes de 2008. Me falha a memória e não consigo precisar o ano, mas minha primeira aventura online foi dividida entre blogspost e livejournal (!). Era um diário online. Dei toda uma volta ao longo dos anos para cair novamente no ponto zero que me trouxe ao universo blogueiro. Cada texto era um grande resumo do que havia feito no dia e, quando estava inspirada, rolava uma reflexão sobre algo do meu cotidiano. Essa coisa de fazer post com Top 5, resenha literária, dica de projetos e afins viria bem mais tarde, quando de fato passei a ter contato com outras blogueiras e tentei me adequar ao formato de boa parte dos blogs daquela época.

E o que é o Corona Diaries senão o meu meu jeitinho de blogar antigamente? Atribuí um nome como se estivesse produzindo muito conteúdo nesta página e precisasse diferenciá-lo de outros possíveis temas, comecei empolgada e fui espaçando cada vez mais as publicações. Como todo projeto que alimentou minha alma no início e foi perdendo o brilho paulatinamente até ser deixado de lado por n motivos. Toda essa lenga-lenga não passa de um disclaimer para anunciar a continuidade do Corona Diaries. Desconheço o amanhã, vai que um dia resolvo dar um tapa neste site e falar de outras coisas? Ao menos vai ficar guardado na categoria dele. E vai continuar com o Corona no nome pois, embora a Holanda já tenha desconfinado, o vírus segue fazendo vítimas e ainda não existe uma vacina.

Fecha parênteses.

Nestes quase dois meses desde o último post presenciei o desconfinamento em duas fases da Holanda. A situação por aqui passou longe do que se passou na Itália, Espanha e França, por exemplo. O governo anunciou recomendações a serem seguidas, fechou o comércio, pediu às empresas que fizessem o possível para que os funcionários trabalhassem de casa. Não vou entrar em detalhes pois não é o foco do diário, mas foi um confinamento brando. Conforme relaxaram as medidas, também retomamos algumas atividades que foram suspendidas lá no comecinho de março. Encontramos amigos (sem beijo no rosto nem aperto de mão) e visitamos alguns museus, fomos a um restaurante. Ia dizer que a vida está voltando ao normal, porém vejamos, está daquele jeito. Será que o dito normal como conhecemos voltará a ser algo tangível? Duvido muito. Independente das mudanças e da forma como as coisas funcionarão daqui pra frente, minha desordem interna ainda é a mesma. Ela teve seus momentos entre altos e baixos, é claro. A vida sempre foi assim, mas sinto que a quarentena só colocou em evidência. É como encarar o espelho – há dias em que vejo no reflexo a mulher mais linda do mundo e me impressiono em enxergar tanta beleza apesar de; há dias em que vejo minha imagem refletida e me pergunto como consegui me destruir tanto em tão pouco tempo. Vivo nesta montanha-russa que consiste em não ter tempo de curtir a adrenalina pois a viagem é rápida e sobra pouco tempo para apreciar as variações.

O verão chegou com tudo e meu corpo reage mal ao calor. A pressão cai, quando transpiro muito meu corpo coça (e dói pra uma porra), quando não chove fica seco demais para meu sistema respiratório e a rinite ataca no capricho. Pode-se dizer que o cenário tampouco tem ajudado a me sentir minimamente bem. A vantagem de viver em um país bipolar com relação ao tempo é que já está fresquinho outra vez. Me pareceu um absurdo sofrer com 31 graus depois de uma vida numa cidade onde 36/38 graus eram uma constante, mas aconteceu. Depois do extremo mormaço veio a tempestade, as temperaturas caíram e até deu para dormir sem sentir meu corpo pregando outra vez. Vitória.

Sigo em vida me agarrando à singela expectativa de dias menos tempestuosos na minha mente. A gente vai seguir se estapeando até ela me dar sossego, eu sei, mas não é que este negócio de fazer descargas mentais por aqui ajuda?

Um comentário em “Corona diaries #10

  1. Muito bom Corona Diaries, achei a ideia demais, acho que o melhor mesmo é blogarmos da nossa forma, se adequar é um processo chato. Também sofro muito com a mudança de tempo, tenho tudo que seja ligado com alergia, e os itis kk Acho que no fim todos estamos esperando o fim desse corona né?

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