Corona Diaries #2

A arte é de Rafaela Mascaro

Foi preciso uma crise que esvazia as ruas da cidade para enfim ter coragem de pegar minha bicicleta e sair sem medo. Triste constatar que uma circunstância extrema foi a única capaz de paralisar minha insegurança por algumas horas, mas essas coisas acontecem. Circunstâncias da vida. Como mencionei no último diário, este hábito saudável da população holandesa pode ser um grande aliado desta crise: você passa menos tempo exposto do que se fosse à pé. Mesmo tendo meu objetivo traçado antes de abrir a porta – comprar pão (moro com um francês e digamos que o pão é um item essencial para eles) na padaria e sal no mercado mais próximo – não restringi meu passeio à obrigação. Aproveitei o trajeto do ponto a ao b para observar as ruas e tentar entender esse organismo vivo que é a cidade. Como ela se molda e como continua dando seus passos neste novo contexto.

Fiz um caminho conhecido com a atenção de sempre, embora a movimentação seja mínima. Entre a ida e a volta cruzei pelo menos 6 bicicletas e dois carros. Na rua da padaria duas pessoas fumavam a conversavam na calçada. Não muito longe um homem saía de casa com seu cachorro, despertando minha curiosidade em saber como os donos de bichinhos vão gerenciar os passeios. Mas bom, não era ocasião para papear com desconhecidos nas ruas. Estava frio, ventava pouco para os padrões holandeses, mas os trabalhos continuam. Embora pouco numerosos e sem uma grande concentração de pessoas, há trabalhadores sujando as mãos nos pavimentos de Haia. Passei por três “caminhões” de obra e um pequeno amontoado de gente trabalhando nas imediações destes veículos.

O mercado estava vazio. Passei por duas pessoas que trabalham no local e dois clientes. Na entrada e nos corredores colaram avisos pedindo às pessoas que mantenham 1,5m de distância umas das outras. Não percebi nenhuma limitação nos estoques. Tudo estava bem abastecido. Peguei o sal, um pote de sorvete (quarentena pede milkshake), paguei, peguei minha bicicleta e voltei para casa.

Nosso segundo dia de “confinamento” não teve nada de extraordinário. Minha leitura de Half of a yellow sun, de Chimamanda Ngozi Adichie, enfim deu uma guinada significativa e passei boas horas acompanhando as desventuras dos personagens espalhada no sofá. Fiz pausas para escrever e tomar um café com Nico e, no fim da tarde, deixei tudo no jeito para poder fazer os exercícios propostos pelo aplicativo. Tenho tentado seguir à risca, me exercitar ajuda a manter a mente sã.

Acabei por começar a segunda temporada de Formula 1: Drive to survive com meu companheiro. Ele queria assistir, eu estava curiosa. No fim das contas me peguei envolvida. A série é bem produzida e estruturada, interessante o suficiente para atrair uma pessoa como eu, que não entende nada e nem dá a mínima para carros. Nosso segundo dia de confinamento deve acabar com o penúltimo episódio.

Para quem só possui o trabalho em ambientes externos como opção – sobretudo os autônomos, como fotógrafos, por exemplo, não deve ser fácil. Passei um momento pensando em opções que poderia propor a profissionais da categoria para obter alguma renda neste período. Para quem foi “obrigado” a trabalhar de casa e está surtando, ainda vejo graça. Coisa de quem sempre gostou muito de ficar quietinha em casa. Foi curioso ver a publicação de Fiona Apple’s Art of Radical Sensitivity, um perfil gigante e maravilhoso de uma das minhas cantoras favoritas, escrito por Emily Nussbaum, justo em meio aos anúncios de quarentena. A artista vive isolada em sua casa já há algum tempo, saindo apenas para passear com sua cachorra. A leitura me acompanhou durante minhas horas presa no aeroporto enquanto tentava voltar para casa, recomendo mesmo para quem não acompanha o trabalho dela – Nussbaum nos ambienta com perfeição.

Para criar um relativo dinamismo nos diários, vou compartilhar dicas possíveis de se fazer em casa em tempos de isolamento. É uma forma de ter um registro de atividades que funcionaram para mim e podem ajudar quem por ventura cair nestas páginas.

É provável que eu deixe também dicas de leitura e filmes no fim do diário do dia – claro que elas podem aparecer soltas no meio dos textos, mas deixarei um espaço dedicado no finalzinho também caso sinta vontade.

Até a próxima ❤

Formiguinhas de plantão, deu vontade de doce? Que tal fazer um Smoothie? 🙂 Nos meus tempos de mulher fitness sempre congelava bananas para não perder. Vocês sabem, essa preciosa fruta apodrece com muita facilidade, e bom, ninguém gosta de jogar comida fora. A banana congelada batida com um pouquinho de gelo vira um sorbet fácil e super gostosinho, mas tenho essa receitinha de smoothie prática que sempre foi uma mão na roda, sobretudo quando precisava de um pré ou pós treino mais leve. Dá para adaptar caso você seja vegan. Anote aí!

Ingredientes:

  • 1 banana congelada
  • 1 xícara de leite gelado (normal ou vegetal – recomendo o de amêndoas)
  • 1 colher de sopa de pasta de amendoim (de preferência pura <3)
  • Um pouquinho de mel (ou melado/agave) para adoçar caso sinta necessidade.

Preparo: Bata tudo no liquidificador e seja feliz x)

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